sábado, 15 de agosto de 2009

Simplesmente batendo o cartão...

Antes que apareçam os primeiros rumores de contestação, a resposta é sim. Sim, eu passei aqui rápido e esse tópico serve exatamente para enrolar vocês leitores, pois estou em dívida com a atualização do blog. O assunto continua sendo música, porque seu simpático blogueiro silvícola não se encontra deveras inspirado para brindá-los com textos longínquos, complexos e embasados tanto histórica quanto literariamente. Contudo, não há motivos para preocupação, porque dessa vez serei breve e simples. Eis abaixo uma lista em formato de TOP 15 das canções que vêm compondo a trilha sonora do meu cotidiano nos últimos dias de ócio. Vale lembrar que as músicas não necessariamente são composições atuais, apesar de eu estar as escutando recentemente. Qualquer dúvida chama aquele pai ou tio seu bem coroa mesmo que ele deve estar familiarizado com alguns nomes enunciados abaixo.

TOP 15 = o que toca no MP4 de Pajé, o seu blogueiro irresponsável que abandona o blog, mas não deixa o Tricolor das Laranjeiras na mão numa partida sequer. Ainda que pelo pay-per-view.

1- Stay (Oingo Boingo)
2- Lady Picture Show (Stone Temple Pilots)
3- Hey Jude! (The Beatles)
4- Sutilmente (Skank)
5- Autonomia (Dead Fish)
6- Somebody to love (Jefferson Airplane)
7- Antes de você (Titãs)
8- Down Under (Men at Work)
9- Dead Man's Party (Oingo Boingo)
10-Sour Girl (Stone Temple Pilots)
11-Ride (The Vines)
12-God put a smile upon your face (Coldplay)
13-Purple Haze (Jimi Hendrix)
14-Bathwater (No Doubt)
15-Sell Out (Reel Big Fish)

Agora você leitor já possui um setlist para se divertir e procurar entender um pouco mais sobre esse que vos escreve. E aqui nesse espaço, o número 1 da lista ganha videoclipe. Espero que vocês curtam a arte desse grupo dos anos 80, oriundo da Califórnia, e que misturava influências de teatro, rock, punk, new wave. Senhoras e senhores, a balada Stay do Oingo Boingo... o ano era 1985...

Vídeo do Pajé



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sábado, 18 de julho de 2009

Projeto de Postagem!! Quem quiser, vai lendo aí!


MEN AT WORK....hehehehehe...favor aguardar enquanto o blogueiro sofre até as 21 horas acompanhando o calvário de Fluminense x Goiás. Vai Tristeza!! Quer dizer...Kieza!!




Capítulo 3 As alternativas do Rock: progressos e experimentações


No que se referia ao Rock n'Roll, os anos 60 pareciam realmente intermináveis. A cada ano da década surgia algo novo, mais do mesmo, um novo hit, outra onda ou barato para a juventude curtir. Era praticamente impossível limitar a caracterização do espírito jovem a apenas um estereótipo. O único aspecto unânime residia no gosto pelo Rock, um estilo que exercia total reinado nas rádios. Contudo, dentro dessa vertente musical, havia de tudo um pouco: punks, hippies, clássicos, rockabilly. Na Inglaterra, a paixão de um indivíduo pelo blues de Pink Anderson e Floyd Council; gerou um embrião inédito na farta cena roqueira. Assim, de modo extremamente conceitual e formal, tal qual o conjunto de sua obra, nascia o grupo Pink Floyd. Nada nesse mundo ou universo conseguia explicar aquilo que eles apresentavam, quer fosse no palco, quer nas gravações de estúdio. O público era transportado literalmente para um espaço, onde subjetividade e abstrato ornamentavam cada nota ou verso. O Pink Floyd trazia sempre uma complexidade em títulos aparentemente ingênuos e primitivos como "Pigs", "Money", "Time". Enfim, eram completamente atemporais. Possuíam um tempo próprio, que pertencia somente a eles e que muitos jamais hão de compreender. Nem por isso, deixaram de gerar sucesso estrondoso, vendas arrebatadoras e alcançar um estrelato incontestável. Marcaram o nome do grupo até junto àqueles que nunca apreciaram sua arte. Pink Floyd tornou-se sinônimo de respeito e até de Rock n'Roll, apesar de produzirem um som deveras inclassificável em certos momentos. Bem, começando a listar a galeria da banda, não se pode esquecer de "Dark Side of the Moon", de longe o álbum, cuja capa não há quem seja incapaz de reconhecer. Para os NERDs da aula de Óptica, trata-se daquele prisma piramidal de base quadrada, de cuja superfície são refletidos raios luminosos nas cores do arco-íris. Estão vendo? Esse blog também é cultura. Se não me engano o fenômeno físico é classificado refração, mas paremos por aqui, pois disso já não tenho certeza. Não gosto muito de recordar esses tempos das provas do grande prof. Alfredo Sotto. Nunca soube direito se esse treco era reflexão, refração...ahh, deixa para lá!
Apesar de surgida em meados de 1965, o Floyd só atingiu seu grande apogeu na década de 70, após o declínio de Syd Barret, of fundador que terminou seus dias abandonado por aí. O ingresso de David Gilmour iniciou um longo período de experimentações em estúdio. A banda procurava um som mais trabalhado e encontrou com um trio de composição articulado por Roger Waters, Richard Wright e Gilmour. Saíram dessa liga musical os aclamado disco já citado acima e "Wish you were here". Todo um conteúdo que parecia restrito á intelectualidade, chegava finalmente à popularização. No entanto, a cartada de mestre do Pink viria em 1979. Com o grupo assumindo nova diretriz, passando a ser guiado de modo ditatorial por Roger Waters e não tendo mais o demitido Wright na formação, sai o álbum "Animals". De 1977, esse trabalho traz como elemento mais interessante a crítica social incrustada, pois os nomes de animais que intitulam cada faixa representam membros da sociedade contemporânea. Algo apoteótico demais para ser captado pelo público já maciço do conjunto. Baseou-se no livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, porém, acabou detonado pela crítica que sentiu falta das vozes de fundo e considerou o repertório longo demasiadamente enfadonho. Pessoalmente, tive a oportunidade de escutar ao CD no carro de meu pai e nenhuma palavra o define melhor do que pernóstico. Um termo perfeito, pois é um adjetivo tão entediante quanto seu significado. Enfim, o estouro artístico acontece. Depois do complexo ao extremo "Animals", o Pink Floyd se resgata com o lançamento de "The Wall". "Another Brick in the wall" credenciou a turma de Waters a adentrar a galeria de hinos do Rock. Outras canções dentre elas "Comfortably Numb" e "Run like Hell" viraram faixas de execução obrigatória nos shows do Floyd. Nos anos seguintes, o Pink Floyd desfrutaria da consagração e sucesso merecidos para quem gerou 3 grandes discos para a História da música em si. Os próximos trabalhos inéditos não mais vingariam e a banda só voltaria a receber destaque com coletâneas lançadas e com o álbum ao vivo " PULSE" ( que inclusive, já na Era 2000, seria imortalizado no formato DVD tal qual The Wall). A série de arranjos e variações instrumentais da antiga faixa "Echoes" também deve ser reconhecida, apesar de eu só ter me lembrado de citá-la nesse final de parágrafo. O término do Pink Floyd foi de fato um cataclisma geral, envolvendo uma separação marcada por desentendimentos e divergências artísticas entre seus membros. Um desfecho previsível diante de uma fissão tão radioativa de produção intelectual num mesmo espaço.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dia não! Semana do Rock no blog

Capítulo 2 Continuação da década de 60 e a onda hippie

Apesar de dominarem a cena Rock inicial, os três astros-reis mencionados no post anterior não se encontravam desacompanhados. Bandas como The Who, que emplacou o hit "My generation"; Beach Boys, dotada de uma pegada surf melody; além da macacada de auditório do The Monkees; enriqueciam a cena dessa nova música emergente. Inclusive, existia uma rivalidade peculiar entre os Beach Boys e os Beatles em termos de briga por sucesso e atenção. Em minha humilde opinião, os garotos da praia ficaram bem para trás, porém, cada um com seus ídolos. O instrumentalismo longo, elaborado e erudito começava a atrair as multidões em shows. Os intermináveis solos e as longínquas improvisações hipnotizavam toda uma juventude por horas a fio. Eis que começam os trabalhos do incrível Led Zeppelin, a partir do fim da década já, em 1968. Os nomes das primeiras obras não foram lá de muita criatividade (Led Zeppelin I,II,III e IV), porém, o contéudo era um primor. Um Rock clássico, digno das pinturas de Leonardo Da Vinci, delicados como o toque de uma pincelada artística. Destaque para hinos tais quais "Whole Lotta Love" e "Stairway to Heaven". O Zeppelin distingüia-se por ser dotado de todo um misticismo, tanto no seu som, quanto nas apresentações. Influências celtas e das regiões galesas, talvez. Entretanto, seu grande auge ocorreu nos anos 70, período em que o disco Physical Graffiti veio ao mundo. Desfrutaram do invejável posto de maior banda de Rock do globo, abraçados pela calorosa massa hippie, originária dos EUA.





Na foto à esquerda,
os funcionários do mês

do Beach Boys. Seria
a origem do vestuário
dos atendentes da rede
McDonalds?




Imagem dos cabeludos
do Led Zeppelin em pleno
exercício de sua profissão.
Jimmy Page e Robert Plant
lideraram uma máquina que

mudou toda uma arte, não
apenas a música.



The Monkees: um projeto
norte-americano de construção
de um Beatles nacional na Terra
da Liberdade. Notadamente, o tom
pré-fabricado da banda só agradou
os apreciadores por pouco tempo.
Padeceram no meio de tantos outros
artistas gigantescos e naturais.


Falando em hippies, era tempo de Guerra do Vietnã. A contestação aos governos capitalistas crescia assustadoramente. E, no momento menos adequado, em pleno fervor da Guerra Fria. Os EUA, grande potência mundial liberal, viviam particularmente uma turbulência interna, além da precisarem administrar as ameaças externas do lado vermelho da força. A violência desmedida, o horror do McCartismo, a luta dos negros com Martin Luther King e Malcolm X, os escândalos presidenciais, os protestos dos homossexuais liderados por Harvey Milk; enfim, havia uma série de acontecimentos que passaram a fomentar o senso crítico da população americana. Posicionando-se contra os gastos do dinheiro de impostos numa guerra sem sentido ou resultado na vida da população nacional e a favor das liberdades consideradas perigosas pelo Estado, os hippies começam a dominar a cena. Eternizados pelo símbolo e lema "Paz e Amor", esses amantes da natureza alteraram radicalmente a cultura norte-americana. E, como tudo que exala nesse planeta é espelho do "way of life" yankee, o mundo jamais foi o mesmo por duas décadas. O Rock n'Roll, claro, não poderia ter ficado de fora dessa. A carga de drogas no processo criativo foi uma das principais heranças da nova maneira de compor que apareceu. Até mesmo os rapazes de Liverpool mergulharam nessa viagem, enquanto outros eram verdadeiros nômades mentais. Nomes como Jefferson Airplane, grupo da canção White Rabbit, que abusa dos efeitos de psicodelia e cores em seu videoclipe. Outros que também se destacaram foram Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Sha-Na-Na, Joe Cocker; todos convidados do grande ritual do movimento hippie, o festival Woodstock de 1969. Ademais, o Cream foi outra banda a obter receptividade incrível, graças ao lançamento do apoteótico single "Sunshine of your love". Entretanto, o Rock psicodélico não teria sua relevância, caso não elegesse uma nobreza para si. Assim, uma Família Real das distorções se formou no Reino de Woodstock. O primeiro deles era o príncipe Carlos Santana, um nobre de dedos rápidos quando tinha a postos sua guitarra. Foi genial em cada movimento, fazendo uma ensurdecedora sessão de solos soar tão clássica como uma Nona Sinfonia. Um gênio da História da Música, podendo ser de fato considerado músico na melhor definição da palavra. Comparável a Bach, Beethoven, Chopain; apesar das diferenças gritantes, claro. A Corte se completa com o casal composto pela rainha Janis Joplin e pelo rei Jimi Hendrix. Dona de uma qualidade vocal arrebatadora, detendo uma voz inconfundível; Janis é um dos mitos do Rock n'Roll. Uma mulher que superou qualquer barreira que pudesse existir contra a presença feminina no gênero, considerado demasiadamente bruto para damas. Apesar de seu visual, seus hábitos controversos, não deixava de ser uma lady. Madame sem frescuras e com muita atitude. Causou um terremoto de tumultos quando esteve no Brasil em 1970, sendo expulsa do Copacabana Palace após nadar nua na piscina do local. Por outro lado, Vossa Alteza Jimi Hendrix também não possuía muitos limites, quer fosse no palco, quer fosse na vida pessoal. A criatividade nutrita a irrestrito uso de drogas, levou-o a compor clássicos como "Purple Haze", "Axis bold as love", "Foxy Lady", "Fire", "Crosstown Traffic", "Castles made of sand", "Voodoo Child". Isso, sem falar na inexorável "Hey Joe". Minuto por minuto, a arte de Hendrix é imperdível, por isso é impossível citar todos os seus sucessos aqui. Em termos de performance, um artista inovador no trato com a guitarra. Tocava com a fúria de quem realmente sentia a música e captava toda a energia do Rock. Com os dentes ou incendiando o instrumento, Hendrix passou de negro mortal a mitológico.Fechou o festival Woodstock com maestria ímpar, abençoando aos presentes com um espetáculo único. O maior exemplo de quebra de preconceitos, pois foi herói num jogo dominado pelos brancos. Infelizmente, o casal real veio a falecer cedo, ambos com 27 anos. Parece que combinaram de estarem juntos em todo lugar, desde na fazenda de Max Yasgur até no Céu. Os fatos apontam que padeceram de overdose pelo vício pesado em drogas. Contudo, eu acredito que morreram foi de implosão criativa. Suas almas artísticas eram altamente inflamáveis e o corpo humano era pouco para suportar tamanha pressão. Transbordaram os limites da carne literalmente.

Vídeo do Pajé

Não tinha como deixar de prestar a homenagem nesse espaço ao diferenciado Jimi Hendrix. Artista que transformou a arte de se tocar guitarra, contribuindo para que o instrumento virasse o símbolo maior do Rock n'Roll. Além disso, Hendrix influenciou diversos artistas de peso tais quais Red Hot Chili Peppers e Lenny Kravitz. Vale a pena conferir à parte também os covers que o quarteto californiano faz de canções de Jimi como "Fire", "Castles made of sand" e "Crosstown Traffic", sem falar na excelente execução de "American Woman" por Kravitz. O vídeo que segue traz a música All Along the Watchtower. Um clássico que permite escutar toda a magia da guitarra raivosa do inesquecível mártir psicodélico. Essa viagem é imperdível!


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Música - Especial Dia Mundial do Rock



Distorções, solos, atitude...Isso é 13 de junho!!

Eis que nessa segunda-feira, o Rock n'Roll completa mais uma ano de vida. Destroçado pela onda Emocore, creio que esse seja um dos aniversários mais difíceis de se comemorar. À beira de uma extinção, o Rock segue sobrevivendo tal qual as plantas umbrófitas, ou seja, amparado pelas sombras do underground. Triste realidade para quem já dominou o mainstream mundial. A indústria fonográfica que outrora apostou em nomes como Beatles, Rolling Stones, Aerosmith; agora recorre ao estrelismo de Justin Timberlake, Beyoncé, Shakira. Nada contra o trabalho desses atuais artistas, afinal eles são apenas frutos da transformação musical ao longo dos anos. São eles que vendem, porém, não são eles quem compram os álbuns. A artificialidade do pop 2000 renegou a pureza do Rock a uma extinção iminente. Inclusive, mudaram o modo de se fazer Rock atualmente, só que nesse caso os fatores adulteram o produto. Ou melhor, estragam-no. Os tempos não são mais os mesmos nem a indústria fonográfica.

Contudo, ainda nos resta essa simbólica data para celebrarmos heróis do passado. Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain; todos regressam à Terra nesse momento especial. Sendo assim, o nadadenovonatribo não poderia deixar de comparecer a essa festa, prestando grande homenagem ao bom e velho Rock n'Roll. Os próximos posts do blog virão carregados de conteúdos altamente roqueiros, realizando uma verdadeira retrospectiva na história do mais rico ritmo musical. Interatividade, avaliação de álbuns e um pouco de teoria sobre as diferentes fases e tribos. Ao final dos posts, seguirá sempre um vídeo sugestão do blogueiro relativo ao assunto abordado. Logo, preparem suas guitarras, comecem a dedilhar as linhas de baixo, baterias a postos.... Let's Rock, baby!!


Capítulo 1 Dos primórdios ao início

Terminada a Segunda Guerra Mundial no fim da década de 40, a Ordem Mundial alterava-se de uma forma inédita. Estava concretizada a hegemonia dos EUA como potência mundial (compartilhada com a URSS). Um processo que amadurecia durante anos e finalmente ganhava sua confirmação. A abundância de recursos fazia eclodir o êxodo rural. Afinal, todos queriam buscar empregos, oportunidades e seguir os passos da industrialização que se potencializava de modo impressionante. Nascia também o consumismo na sociedade norte-americana, aumentando a procura dos mercados por artigos supérfluos para oferecerem à sua clientela. Notadamente, os jovens, um novo público que brotava nos Anos Dourados da economia.
Assim, chegam os anos 50. O inchaço populacional das grandes cidades propiciou um choque cultural de convívio entre brancos e negros. A lenta melancolia do blues fundiu-se então com a levada elaborada do jazz e os passos dançantes do country. Exatamente em 1951, um visionário festeiro de nome Allan Freed, investia no potencial de toda essa mistura sonora. Em suas festas liberais, aparecia esse novo som, batizado por Freed de Rock n´Roll, numa singela homenagem a um dos blues de Trixie Smith. O mercado fonográfico, enfim, havia encontrado o produto ideal para saciar o desejo de toda aquela juventude. A partir desse marco, estava inaugurada a vadiagem juvenil, algo que a sociedade conservadora jamais poderia imaginar. Os filhos tinham um novo barato para curtirem , já os pais perderam o sossego dos ouvidos definitivamente.

Na Pré-História do Rock, recebeu grande atenção a ginga e o rebolado swingado de Chuck Berry. Todavia, para sua afirmação no cenário cultural, o novo ritmo precisava de um rei. Do interior dos EUA, mais especificamente no Mississipi, chegava a tão esperada Majestade: o senhor Elvis Presley. Com carisma e performance irredutíveis, suas coreografias fizeram delirar milhares de jovens norte-americanos. Os meninos copiavam seu topete chamativo, suas roupas country-modernas, seus óculos escuros. Já as meninas, derretiam-se por sua voz aveludada, seus movimentos ousados e pelas letras de suas músicas. A principal temática de Elvis residia no romance, um amor contagiante, inovador frente ao amor cafona de músicas anteriores. Tudo nele exalava um frescor de revolução, parecia sempre introduzir algo novo; e de fato o fazia com o Rock n'Roll. Trouxe ainda o dançante e clássico Rockabilly. "Little Less Conversation", "Love me Tender", "Jailhouse Rock", "Hound Dog" e "Surrender" figuram como exemplos das preciosas pérolas lapidadas pelo cantor. De tanta produção, Élvis tornou-se uma marca registrada quase, uma metonímia de siginificação própria. Entretanto, a proximidade de relações entre EUA e Inglaterra fez com que os britânicos não ficassem excluídos do fenômeno Rock n'Roll. Nos anos 60, o controle passou das mãos do Tio Sam para as da Rainha. Apareciam nas ruas da pacata Liverpool, quatro jovens de visual comportado que deixariam o mundo em verdadeira polvorosa. Os Beatles era formados por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Deram nome a um evento jamais visto antes, a Beatlemania. Algo que só se repetiria na década de 80 com Michael Jackson. Um assédio que atravessou fronteiras, não apenas físicas como também temporais. Uma banda que ficou imortalizada, sem nenhum exagero. Afinal, quem nunca ouviu Beatles não pode se denominar roqueiro!! Uma escuta obrigatória a todos realmente, independente de gosto. Passeando do Rock básico inicial às viagens psicodélicas da metade dos anos 60, os Beatles conseguiram ser bem-sucedidos em tudo o que tentaram. Obras primas como os treloucados discos "Sargent Peppers Lonely hearts Club Band" (mais vendido do Rock até hoje) e "The Magical Mystery Tour", foram regados por muitas sessões de LSD. Desse período, vale a pena conferir cada detalhe, com destaque para "Lucy in the sky with diamonds", "I am the walrus", "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band", a sinfônica "All the lonely people", a ingenuidade de "Hello Goodbye" sobre a timidez dos casais adolescentes, além da alegre "The Magical Mystery Tour". Não se pode esquecer ainda do hino "All you need is love" ou da gritante "Can't buy me love". Da fase inicial e de bons moços, os sucessos são ainda maiores, graças a faixas como "Help", "I wanna hold your hand", "Ticket to ride", " I saw her standing there", "Hey Jude", " A hard days night", "Yesterday", "Revolution", "Rain", "She loves you", "Twist and Shout". Uma lista interminável que remete bem aos climas dos bailes de clubes antigos. Mesmo com o término da banda em 1970, os projetos paralelos de John Lennon, George Harrison e Paul McCartney renderam ainda muitos hits para o Rock tais quais "Jealous Guy", "Imagine", "Woman", "Cold Turkey", "Say, say, say" e "Live and let die". Praticamente em sincronia de tempo e espaço, os Rolling Stones galgaram um patamar de estrelas do Rock, junto aos Beatles. Foram imensos, porém, os rapazes de Liverpool ainda eram imensuráveis para efeito de comparação. Os Stones tinham a virtude de produzir hits, mas, não tinham o poder dos Beatles de transformar em mina de ouro tudo o que tocavam. Com o rodar da estrada, o comportamento excêntrico do guitarrista Brian Jones deixou de ser atitude e virou alcoolismo. Em 1969, ele deixa a banda, dando lugar a Mick Taylor que terminaria preterido por Ron Wood. A presença de palco foi uma das marcas estabelecidas pelos Rolling Stones, com toda a sensualidade interpretativa de Mick Jagger e a expressão dura de Keith Richards (o homem que misteriosamente trocava seu sangue. Seria esse o segredo da imortalidade? Veremos lá para 2020, se ele ainda estiver por aqui, quem sabe?). "Jumpin Jack Flash", "Paint It Black", "Sympathy for the Devil", "Let's spend the night together", "It's only Rock n'Roll", "Miss You", "Angie"; compõem um acervo sensacional para a galeria do Rock. No entanto, a atração fica por conta de "Satisfaction", uma das músicas que possuem a própria cara do Rock n'Roll, caricaturando perfeitamente cada traço do estilo. Do solo de guitarra simples à letra fácil, tudo se encaixa nessa música, cuja capacidade de transbordar a alma roqueira é inigualável. Outro legado dos Stones são as artes plásticas experimentadas nas sempre bem elaboradas capas de seus discos. Na verdade, uma conseqüência do contato profissional com Andy Warhol, mestre da pop-art. Desse primeiro capítulo, os Rolling Stones são os únicos que ainda detém a longevidade material. Os demais seguem perpetuados em nosso espírito. Santa audição!


Vídeo do Pajé

Como esse post inicial trouxe 3 grandes deuses do Rock n'Roll, me senti na liberdade de indicar dois vídeos ao invés de apenas um. Contudo, não vão se acostumando, porque é só dessa vez!! As sugestões ficam por conta de The Beatles- Help e Rolling Stones- Start me up. Vale atentar que muitos ainda hoje se espelham na voz de Mick Jagger (caso do vocalista do The Hives) e até ousam algumas de suas danças estilo invertebrado agonizante (não é Scott Weiland?).

Obs: Nos comentários, os internautas do blog podem ficar à vontade para citar outros clássicos dos 3 artistas (Beatles, Rolling Stones e Élvis Presley), que acabaram não mencionados no texto acima. Afinal, são repertórios tão vastos que sempre hão de existir alguns sacrifícios acidentais.




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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Esportes

Futebol / Copa das Confederações

Quem pode mais?

Chega ao fim mais uma edição da Copa das Confederações. Um torneio que tal qual o grandioso Campeonato Carioca só vale pelo charme e glamour. Ambos estão mais para desfile de vaidades do que para parâmetro competitivo. Por exemplo, de Tigres do Brasil para seleção da Nova Zelândia, só o que muda é o endereço mesmo. Se bem que o Sorato ainda possui uma malícia de futebol, enquanto que os neo-zelandeses não sabem nem qual a cor da bola. Entre Iraque e Mesquita, prefiro a turma da Baixada, pois pelo menos esboçam ter um ataque (de risos, mas já é um começo!). Logo, o duelo entre Iraque x Nova Zelândia mostrou-se digno do público de 100 testemunhas que vemos em jogos do Cariocão como Friburguense x Cardoso Moreira. Assim como no Rio de Janeiro, há também alguns campeões suspeitos na Copa das Confederações. Que o digam nossos hermanos, vencedores de 1992 num certame que só reunia quatro forças (além da Argentina; havia Arábia Saudita, EUA e Costa do Marfim). Quanta dificuldade! Mas, é uma tarefa hercúlea, não concorda?
Em 2009, não teve para "laduma" (sei lá que diabos quer dizer isso, porém, está na boca do povo!). O grande lema dessa Copa das Confederações foi mesmo o bordão do presidente norte-americano Barack Obama : "Yes, we can!" Antes da bola rolar, parecia que somente Brasil, Itália e Espanha teriam direito a cumprir com a célebre frase. Contudo, Obama jamais teve face ditatorial e tal qual seus atos políticos, seu bordão pertence ao Liberalismo. Dessa forma, outras seleções como Egito e EUA se deram a Liberdade de pensar: "Também podemos, por quê não?" Claro, que por ter os direitos autorais sobre o bordão (afinal, é a Terra de Obama!), a fé norte-americana teve preferência no Céu do futebol e a segunda vaga às semifinais ficou com os yankees. Se ainda fosse a Arábia Saudita, a história poderia ser diferente, uma vez que a fé de Maomé movia até montanhas. Ele andou de passagem algumas vezes pelo Iraque, mas resolveu mandar todos à Meca, já que sem atacantes não há profeta que salve time algum. Portanto, quase que no palitinho a segunda colocação do Grupo A caiu nas mãos da África do Sul (de cortesia...ficou por conta da casa literalmente). E, no meio de toda essa brincadeira, a Itália terminou não podendo.
Restavam de favoritos os impetuosos espanhóis e a inexorável seleção brasileira (que por pior que esteja sempre é um time competitivo). Parafraseando o poeta Christian Pior, a Espanha viu que o sangue de Obama tem poder. 2x0 com destaque para a eficiência da artilharia estadunidense. E os hispânicos seguem no futebol internacional vivendo a sua triste sina de Portuguesa de Desportos: Uma glória aqui e um tombo acolá. No jogo do Brasil, os bafana-bafana vieram crentes que estavam abafando até que Daniel Alves desabafou o golzinho da classificação. Finalmente, chegou a hora da decisão: Brasil x EUA. No primeiro tempo, ocorreu uma súbita crise de governo Bush e os americanos saíram invadindo nossa defesa. Marcaram logo 2 gols sem dó nem piedade. Nos deixaram perdidos que nem vietnamita no Central Park. Mais bombardeados do que Hiroshima. No entanto, veio o segundo tempo. A grande virada, a redenção, o roubo do bordão. 3 gols e agora o Brasil era quem podia. Com o apito final, veio a festa pelo tricampeonato. Assim como o petróleo, a hegemonia é nossa!! Contudo, o futebol brasileiro deixa uma lição para a seleção: campeão carioca não é campeão nacional! Tracemos um paralelo com a Copa que vem por aí em 2010.
Bem, meu caro Obama, eu até concordo que vocês podem. Só que se esqueceram de um antigo detalhe: "A taça do mundo é nossa...com brasileiro...não há quem possa..."



Análise sobre os participantes:

Segue abaixo um breve resumo e as conclusões tiradas a respeito dos 8 participantes da Copa das Confederações 2009.

BRASIL: o grupo demonstra coesão e compromisso, no lugar da farra de 2006. Mesmo que não seja campeã mundial, é uma seleção que brigará bastante pelas vitórias. Possui os melhores talentos individuais do mundo e acertando alguns detalhes do jogo coletivo tem tudo para deslanchar contra qualquer adversário. Ainda alvos de críticas as presenças de Robinho como titular e Alexandre Pato mesmo que seja no banco. Gilberto Silva de titual absoluto é outro caso a se pensar, mas é um jogador que cai bem ao elenco. Encontramos enfim outro digno dono da camisa 9, por sinal um centroavante "Fabuloso". Boas surpresas com Ramires, André Santos e Daniel Alves. Sempre sensacionais o goleiro Júlio César, o completíssimo Kaká e o guerreiro Lúcio na zaga. Se tantos profissionais gabaritados tiveram seu direito de errar em Copas, creio que o novato Dunga merece ao menos uma chance. Devido à sua fibra, vontade e comando, claro que não por seu currículo de treinador.


ESTADOS UNIDOS: Desde o escândalo Watergate que eu não ficava boquiaberto com algo relativo aos EUA. A equipe demonstrou excelente aproveitamento em finalizações e conclusões de jogadas no geral. Entretanto, ainda falta técnica, principalmente nas subidas pelas laterais e na marcação dos zagueiros, que apesar de firme é faltosa e imprecisa. Nas bolas altas é um time bem servido, tanto para afastar o perigo quanto para ameaçar o adversário. Em termos de jogo coletivo e disciplina tática, ainda são impressionantes. Técnico gritou, jogadores executam. Creio que adestramento seria o melhor termo para eles ao invés de treinamento. Contudo, isso municia a criatividade e a arte que acabam não aparecendo. E, esses são fatores decisivos no futebol internacional. Ainda penarão muito em decisões, mas estão se acertando e levarão a Copa das Confederações não apenas como currículo, mas também como aprendizado. Destaques para o veterano Donovan, os atacantes Jozy Altidore e Dempsey, além do extraordinário goleiro Tim Howard, que demonstrou bastante envergadura nas defesas executadas.

ESPANHA: Apesar de deter uma História cheia de realeza, a seleção espanhola ainda não conseguiu ocupar o trono do Futebol Mundial. Ao contrário dos portugueses (outro país com passado monárquico poderoso), a Espanha sempre demonstra condições de voltar as glórias. E, dessa vez, ficou novamente renegada ao fiasco. Zubizarreta, Raul e Morientes não conseguiram. No entanto, Villa, Torres e Casillas parecem mais consistentes do que os seus predecessores. Creio inclusive que o apelido Fúria deva ter origem nesse desejo reprimido que o espanhol possui com relação ao domínio do futebol. Ainda sigo acreditando na Espanha para a Copa do Mundo 2010. Os americanos, tal qual seu ilustríssimo presidente, são apenas uma moda, um ufanismo passageiro. Só que o meu voto de confiança não significa dizer que os espanhóis vão sobrar na África do Sul. Pelo contrário, vão precisar suar muito, principalmente para apagar a imagem que ficou da Copa das Confederações. Quanto ao espaço das quatro linhas, o setor ofensivo envolve os rivais com toques rápidos e muito talento individual. A defesa continua chegada numas presepadas, não é meu amigo Sérgio Ramos?Falta esse equilíbrio com a zaga que já custou à Espanha outros vexames. Além do trio já mencionado acima no texto, me agradam os meias Cazorla, Xabi Alonso e Capdevilla. De resto, há os fatores psicológicos. O histórico da seleção atrapalha e muito numa decisão. Afinal, os espanhóis têm uma tradição a honrar e já deixaram de o fazer em demasia. É preciso muita cautela nesse momento. A presença ausente e quieta do técnico Vicente Del Bosque é outro aspecto que me incomoda. Um homem de expressão aparentemente burocrática em excesso. Deixo nesse finzinho um alerta para uma antiga colônia dos espanhóis. "Ô Argentina, abre seu olho! Já são quantos anos sem títulos mesmo? Vai virar outra Espanha! O tempo passa e a responsabilidade só aumenta..."

ÁFRICA DO SUL : Finalmente, a minha parte favorita! "We pray sémen...in the léfiti...in the raite....in the midiu...far behind". Inventaram a tática que revolucionou o futebol comtemporâneo, chamada "control de méti". Deixando um pouco de lado o inglês troglodita do saudoso Joel Santana, o Natalino vai ter trabalho demais até 2010. Abrir mão da experiência de Benny Mccarthy paraceu algo inviável pelas sucessivas trapalhadas cometidas pelo ataque sul-africano nessa Copa das Confederações. A barração do atleta acabou sendo um castigo maior para a seleção do que para o indivíduo. Do gol de barriga de Renato Gaúcho em 95, Joel foi presenciar a pataquada de Parker (impedido!!!) contra o Iraque. O desespero de olhar para o banco e perguntar: "Será que precisa de 3 substituições?? Tudo isso?" É limitação e inocência que não acabam mais. Bem, à primeira vista o Cabo da Boa Esperança voltou a ser das Tormentas, não é verdade? Entretanto, os bafana-bafana têm suas virtudes sim. Um toque de bola aliado a uma boa velocidade. Um compromisso e uma coletividade muito fortes. Sabem criar já, porém, ainda não aprenderam a concluir. As cerejas da sobremesa são o goleiro Khune, que agarra chutes potentes ao invés de rebatê-los; o meia Steve Pienaar, detentor de bastante movimentação, técnica e experiência. São interessantes de observar também o atacante Mphela, que demonstrou na disputa do terceiro lugar ter faro de gols; e o esforçado, ainda que destrambelhado Parker. Por fim, chama atenção o zagueirão Booth, que além do 1,98m de altura, possui uma beleza de causar inveja a Ruy do Grêmio.

ITÁLIA: Ahhh...mas se fosse na Copa de 34 o Duce daria um sumiço em todo mundo! O avião nem pousaria em Roma. Era melhor que Marcelo Lippi ajeitasse a turma lá por Johannesburgo mesmo. De campeões do Mundo a foragidos do regime, já pensou? Graças a Deus esse tempo ficou para trás. Fica até difícil fazer uma análise, pois o futebol italiano não se apresentou na África do Sul. Fizeram as malas ainda na primeira fase, com uma derrota para o Egito e um apagão diante do Brasil. De positivo, sinceramente, só consegui observar as finalizações de fora da área. Era uma Itália com cara de Inglaterra, faltou apenas o "chuveirinho" para a área. Pouca mobilidade e muita força. Acredito que os italianos terão dificuldades com essa transição de característica do seu futebol e, portanto, não os considero assim tão aptos para 2010. Contudo, vamos prestar atenção! Afinal, quando que a Itália ganhou algum titulo jogando um futebol de encher os olhos? A mais performática ainda foi aquela seleção de 1982. Atacantes pesados como Luca Toni e Iaquinta acabam se tornando presas fáceis para defensores ágeis. O retorno de Del Piero surge como necessidade cada vez mais urgente. Contudo, a defesa da Azzurra (irreconhecível nessa Copa das Confederações), sofrendo ajustes, sendo mais disciplinada e recuada; oferecerá uma segurança capaz de cobrir as deficiências ofensivas. Ou seja, espero por uma Itália enjoada nesse Mundial, cheia de vitórias por 1x0. Erguei as mãos para a família Rossi (Daniele De Rossi e Giuseppe Rossi), palmas para a objetividade de Andrea Pirlo e melhor sorte da próxima vez para Gianluigi Buffon.


EGITO: Em 2 jogos (contra Brasil e Itália), parecia que o enigma da esfinge era realmente indecifrável. No entanto, na última partida, o mistério terminou desvendado, ou melhor, entregue. De grande sensação do torneio a decepção em apenas 90 minutos, os egípcios voltam para seus sarcófagos e terão ainda muitos anos para pensar no que lhes aconteceu. Afinal, estão na lanterninha do seu Grupo nas Eliminatórias Africanas e provavelmente não disputam o Mundial de 2010 na África do Sul. Não virão para a grande festa, deram só uma provadinha no coquetel de abertura. Chegaram a Bloemfontein para enfrentar o Brasil totalmente mumificados. Perdiam por 3x1. Entretanto, assim como Cleópatra, a seleção canarinho subestimou o veneno da serpente e em poucos minutos o jogo estava 3x3. Só que ao contrário da rainha lendária, o Brasil encontrou o antiofídico no último minuto e venceu com um santo pênalti por 4x3. Tutankamon de debateu em seu túmulo e acabou sobrando para a Itália. Vitória de 1x0, graças ao milagre da multiplicação de braços e pernas do goleiro egípcio. Quem duvidava do politeísmo, queimou a língua! Contudo, diante dos EUA, a seleção do Egito demonstrou desgaste, falta de inspiração, lentidão, desatentação no setor defensivo, erro de posicionamento tático; enfim acabaram assolados por 13 pragas novamente. 3x0 para os americanos e a dura eliminação. Creio que a mística estava no 3-5-2 que o técnico trocou no útlimo compromisso por um 4-4-2. No geral, mostraram valorização da posse de bola, jogadas pelo fundo eficientes e um futebol ofensivo, sem medo de arriscar. A defesa ainda tem muito o que aprender, comete erros primários e não parece bem compacta. Não passa a impressão de ser um bloco quando fecha, muito esparsa. Destaques ficam para os dribles sensacionais, a visão de jogo de Aboutreika; o oportunismo de Zidan; Ahmed Eid dá presença de ataque e contribui com a criação do time. Não se pode esquecer do grande goleiro El-Hadary, bastante experiente e que transmitiu muita segurança, além da capacidade para operar verdadeiros milagres ocasionalmente, uma característica que diferencia bons goleiros de simples guarda-metas.

IRAQUE: Foi com esse elenco mesmo que o Iraque conquistou a Copa da Ásia? Se foi, é porque a situação do futebol lá está em frangalhos. Já está fora do Mundial 2010 (Ixalá!). Darei um desconto, visto que turbulência político-social e organização futebolística são fatores que não combinam. Por exemplo, Angola só chegou a uma Copa, quando a guerra civil cessou um pouquinho (quase nada). Agora, francamente, o time não tem jogadas, não trabalha a bola (livra-se dela), o ataque simplesmente inexiste. Bora Milutinovic (é assim que se escreve o nome desse homem?), implantou um esquema de 6-4-0, pelo que se vê em campo. Se bem que a grande culpa é da absoluta falta de capacidade técnica dos iraquianos com a redonda nos pés. Queima igual bomba a pelota! O atacante ainda que exista, inicia a partida lá na frente, passam 30 minutos e o cidadão nem toca na bola. Aliás, não tem nem esperanças que isso vá acontecer. Acaba recuando para o meio, a fim de ser útil na marcação (pelo menos atrapalhar o adversário). A prova dos nove para essa ausência de força ofensiva do Iraque foi o empate sem gols com a extremamente limitada seleção da Nova Zelândia. Não falo nem em deficiência, porque até para algo ser ruim, precisa primeiro existir. Sócrates (o filósofo) definiria simplesmente como um ataque não pensante esse do Iraque (princípio do Cogito ergo sum). O setor defensivo mostrou muita concentração e disposição para exercer suas funções. Os iraquianos só se defendem mesmo, pelo menos o fazem direito.Destaque vai para aquele goleiro lá que eu nem sei como se chama, mas passa muita tranqüilidade e segurança à equipe. Pena, que jamais receberá a recíproca.

NOVA ZELÂNDIA: Dos apelidos das seleções mundo afora, julgo que o dos neo-zelandeses seja o mais pertinente : "All Blacks". Afinal, a coisa está é toda preta para o futebol deles mesmo. Precisa treinar muito até para duelar possivelmente com a Arábia Saudita por uma vaga na Copa de 2010 (a julgar pelo jogo do Bahrein a que assiti outro dia, não acho possível que os sauditas consigam ser piores ainda!). Por falar no verbo assistir, o futebol da Nova Zelândia carece bastante dele, mas não no sentido de ver e sim no de prestar assistência. O toque de bola existe, porém, é desengonçado. O ataque cria, ao contrário do Iraque, só que a finalização é digna de pena. Chutes com efeito não. Com defeito, um monte. Bola aérea, desconheço. Ninguém foi capaz de alçar um cruzamento para a área adversária. Jogadas há muito manjadas, retrógradas, óbvias. Enfim, um time que não consegue fugir do lugar comum. No máximo, protagoniza pixotadas fora do comum, isso sim. Aquele lance do zagueiro furando a bola sozinho durante o quarto gol da Espanha ilustra tudo. A culpa do futebol catastrófico pode estar no nível de competição na Oceania. Enfrentar Tuvalu, que possui 320 habitantes (menos que a Rua Conde de Bonfim, se bobear), ameaçada de sumir do mapa por questão de naufrágio (a ilha pouco a pouco vai sendo coberta pelo mar, devido ao aquecimento global!), numa partida válida por uma vaga aonde quer que seja não pode ser sério. Nem para vaga no estacionamento rotativo, um jogo desses serve. Isso não credencia ninguém. A Austrália já pulou fora, pois é questão de tempo. Alguém afundará primeiro: ou as eliminatórias da Oceania por conta própria, ou os seus filiados pelo aumento dos níveis dos oceanos. O fato de nem possuir uma Liga de Futebol profissional no país já deixa os neo-zelandeses muito para trás. E, se depender do gosto popular pelo nobre esporte bretão, esse projeto não dará liga nunca. Com relação à apresentação no torneio, eles vão aprendendo. Com calma, chegam lá. Se subestimá-los por excesso, podem complicar. Quem sabe um dia! Destaque para o goleiro Moss, sem culpa nos gols.


OBS: Vuvuzelas...os berrantes das savanas
Uma das questões mais levantadas durante a Copa das Confederações foi o uso desse exótico instrumento pelos torcedores sul-africanos. Uma manifestação cultural dos nativos, ensurdecedora aos ouvidos estrangeiros. Concordo que as vuvuzelas são tão acessórias quanto os tambores, muito utilizados por nós brasileiros nos estádios, por exemplo. Entretanto, é inegável o quanto elas conseguem aborrecer nossa audição. Particularmente, eu tenho horror até àquelas cornetinhas de plástico verde-amarelas, que a Uruguaiana vende aos montes no período da Copa do Mundo. Ô, troço insuportável! Todavia, os comportamentos peculiares de torcedores mundo afora irão sempre se manifestar de um modo ou de outro. Lembro-me do Desafio de Tênis Brasil/Argentina, realizado na Terra Tupiniquim. Nunca vi em quadra nenhuma uma partida de Tênis ao som de palavrões tal qual aqui. Mesmo pela televisão era possível escutar nitidamente impropérios como "Filho da p@#%". Acredito sim na alegria do povo africano, mas isso não implica necessariamente em barulho. As vuvuzelas poderiam ser utilizadas, porém, com moderação, entre um gol e outro, uma defesa espetacular de goleiro; não a todo instante. Sopram esse negócio até para ir ao banheiro, meu Deus! Na final, a seleção brasileira parecia estar dentro de uma verdadeira colméia: todos de amarelo com uns zumbidos ao fundo. Enfim, tudo nessa vida, inclusive a diversão, trata-se de bom senso. Cabe aos sul-africanos saber usar o projétil de origem Zulu.Respeitem os decibéis! "Ôôô...Mandela...tá me ouvindu?" (quem acompanha o Pânico na TV entendeu...hehehehehehe)


"De...de...president qui hévi a lóti of écspirience"
(Joel sobre Nelson Mandela)

" What the f....is that?"
(reação de Mandela ao comentário acima)

Vivendo, aprendendo e misturando, né Joel?



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Entretenimento




Não, isso não é só mais um Thriller...

Os chineses têm razão, mais uma vez. Sim, o ano de 2009 acaba de nos trazer uma perda do impacto das pisadas de uma enfurecida manada de búfalos.Que calendário preciso! Tombou do lombo do suntuoso animal, um rei. Errou quem pensou em Roberto Carlos ou Pelé. Ahh...os argentinos também já podem secar os olhos, pois não se trata de Maradona (por mais incrível que isso possa parecer!). A vítima da selvagem fera foi Michael Joseph Jackson. Um ícone dos anos 80 para milhões de pessoas no mundo inteiro. Para os menos cultos, é aquele que compôs a musiquinha de abertura do videoshow. Ou então a aberração, como definiriam os assíduos leitores de tablóides britânicos.
Com tantas celebridades na boca da caçapa nessa sinuca da vida, jamais imaginei que Michael Jackson iria para o fundo do buraco tão cedo. Trocadilhos à parte, mataram a bola branca no meio do jogo ainda. E pensar que lhe deram de ínicio a bola preta. Uma oportunidade de definir a partida, que terminou desperdiçada por Michael e a ilusão de sua fortuna.
Contudo, a perda de Jackson não é algo repentino ou instantâneo. Trata-se de um processo desencadeado a partir de meados de 1997. As paradas de sucessos foram substituídas por escândalos em páginas policiais. A luz de sua genialidade a muito já vinha sendo ofuscada pelos refletores de sua excentricidade. Em suma, Michael Jackson vinha respirando às custas do maravilhoso legado musical deixado nas décadas de 80 e começo da de 90. Já era uma lenda viva, que alcançou, enfim, sua gloriosa ascenção. A diferença é que agora tornou-se oficial. A parada cardíaca não passou de mera formalidade, uma confirmação. Nem mesmo as diversas cópias vendidas na carreira foram suficientes para salvar o eterno bafana (menino em africâner) do trágico fim. Chegou ao Céu, porém, com certeza trocaria essa passagem por um tour na Terra do Nunca (a viagem de seus sonhos). Tal qual alguns antigos navegadores hispânicos, Jackson fracassou na busca pela suposta Fonte da Juventude. Um mistério que nem a tecnologia das cirurgias plásticas conseguiu desvendar até hoje.
Sobre as questões de abuso, nada se pode confirmar realmente. As transformações de Michael jamais maquiaram a carência sentida por aquele ser (ora humano, ora indecifrável). Apesar de todos os sinais, é bem capaz que tivesse dito a verdade ao negar as acusações. Resultado da infantilidade de quem cresceu, mas não atravessou fases e nem mudanças naturais. Decidiu então, fazê-las por si. De modo artificial, sustentado no falso oásis que o dinheiro representa ao ser humano.Comprou sua infãncia, entretanto, não foi possível encaixá-la no momento certo de sua vida. Pagou caro pelos seus casamentos teatrais, enfim, procurou ser o arquiteto de seu próprio tempo. Só que o tempo é perigoso, traiçoeiro, complexo; conforme se percebe na filosofia de Agostinho de Hipona. Ele brincou com Michael Jackson, desmontou seu castelo de cartas com um sopro sutil e malicioso. 50 anos que o rei não entendeu e nem a Patrística explicou.

Fica a questão: Entre Michael Jackson e o tempo, who is bad?

Interatividade : caros leitores (peraí...deixa eu contar...1,2,3...pronto, acabei! hehehehehehehe), a fim de fazer desse espaço um recanto de memória e história, postem nos comentários qual sua música preferida do Michael Jackson e por quê???...

Destaque:

Michael Jackson - They don't care about us (videoclipe no Brasil)
video

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sem dedinho de prosa...só um pouco de poesia

Aproveitando a introdução bastante séria e tresloucada no post anterior, publico aqui uma poesia mais doida ainda de minha autoria. Apreciem a arte nas palavras, vejam se a carapuça lhes serve ou se zombarem o problema é de vocês também..hehehehehehehe...A procura nesses versos foi pelo Modernismo, mas garanto que ao menos a piração total foi encontrada. Ou seja, se não tem Carlos Drummond, vai Ney Franco mesmo né! "Tava na beira do caos, tava na beira do mal...numa piração total..."

OBS: se você não extraiu nem tampouco entendeu bulhufas do que o poema expressa....ótimo! Quer dizer que tá funcionando mesmo! hehehehehehehehehe...

Concreto
(autor: Guilherme Cinti Allevato)

Blocos que acinzentam toda obra
Formatados pelo badalo das horas
Não seria isso fruto da abstração?
Que haja do real qualquer abstenção
Construção. Sustentação. Edificação.
Objeto que a filosofia já estudava.
Quando, avesso a Descartes, o peão sequer cogitava.
Afinal, procuras a solidez, solicitude ou solidão?
Talvez, a segurança de uma boa pavimentação.

As calosas mãos substantivam toda urbana beleza.
Começam a derivar em busca de certeza.
Esculpindo a verdade de pouco em pouco
Misturando a massa, o gesso, fazendo o reboco.
Terminada a obra, eis que um suspiro rechaça.
Tão previsível, uniforme! Perdeu-se a graça!

Tudo bem regular e correto.
Sem nenhuma falha ou vestígio incerto.
Assim meio... Concreto.


OBS 2: as imagens ao lado ajudaram na sua compreensão do
poema??...hehehehehehehehehe